Por: Marcello de Almeida
29/07/05 - 13h30
InfoMoney
SÃO PAULO - Apesar da manhã positiva para o mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou a primeira etapa em leve baixa de 0,35%, cotado a 25.978 pontos. O volume financeiro no pregão da manhã atingiu os R$ 608,97 milhões e a projeção para o fim das negociações indica que o volume não deverá chegar a R$ 1,3 bilhão.
Com o clima político mais calmo, os investidores utilizaram o pregão da manhã para rever posições, aproveitando as oportunidades de curto prazo, uma vez que as perspectivas econômicas e corporativas são favoráveis. Analistas também enxergavam como positivo para o mercado o acordo político que aparentemente está em andamento em Brasília.
Parlamentares não ligados ao PT estão sendo envolvidos de forma mais intensa nas denúncias de corrupção, fato que está levando os partidos políticos a procurarem acordos para tentar evitar a cassação de deputados do PL e do PTB e reduzir a abrangência das investigações.
Entretanto, o clima de cautela acabou falando mais alto e pressionado as negociações no início da tarde. Devido ao melhor desempenho registrado nas últimas três sessões, muitos investidores, preocupados com o noticiário de fim de semana, aproveitam para realizar lucros. Vale citar também que a agenda política da próxima semana será repleta de importantes depoimentos.
Nota de Política FiscalRetornando ao plano econômico, o setor público consolidado do país apresentou, em junho, um superávit primário de R$ 9,623 bilhões, o que levou superávit primário acumulado em 2005 para R$ 59,950 bilhões. Esse resultado, equivalente a 6,43% do PIB (Produto Interno Bruto), é o melhor da série histórica, iniciada em 1991.
Porém, embora o governo tenha apresentado superávit em suas contas fiscais em junho, o mesmo não foi suficiente para cobrir os gastos com juros, acarretando em um déficit nominal. A Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) foi positiva em R$ 5,610 bilhões no mês passado. Este dado foi resultado de um superávit primário inferior aos R$ 15,234 bilhões referentes ao pagamento de juros no período.
Papéis em destaqueEntre os destaques de queda estavam os papéis Embraer ON (EMBR3, -2,88%), Ipiranga Petróleo PN (PTIP4, -2,29%), Embraer PN (EMBR4, -2,02%), Vale Rio Doce ON (VALE3, -2,01%) e TIM Participações PN (TCSL4, -1,81%).
Por outro lado, as ações Tele Leste Celular PN (TLCP4, +4,62%), Celesc PNB (CLSC6, +1,92%), Cemig PN (CMIG4, +1,92%), Eletropaulo PN (ELPL4, +1,89%) e CST PN (CSTB4, +1,84%) encerraram a manhã em alta.
Os maiores volumes ficaram com Telemar PN (TNLP4, R$ 44,66 milhões), Petrobras PN (PETR4, R$ 41,52 milhões), Cemig PN (CMIG4, R$ 38,14 milhões), Vale Rio Doce PNA (VALE5, R$ 37,79 milhões) e Usiminas PNA (USIM5, R$ 32,77 milhões).
Bolsas internacionaisNos Estados Unidos, as bolsas operam em baixa, pressionadas pelo crescimento abaixo do esperado do PIB do país. Os investidores analisam ainda outros indicadores econômicos, e acompanham a divulgação de resultados corporativos.
De acordo com os dados divulgados, a economia norte-americana cresceu a uma taxa de 3,4% no segundo trimestre de 2005, levemente abaixo das expectativas de crescimento, de 3,5% e dos 3,8% divulgados anteriormente.
O deflator do PIB, por sua vez, que mede basicamente o custo de uma cesta de bens na economia norte-americana, registrou avanço de 2,4% no segundo trimestre, levemente abaixo dos 2,6% esperados. Vale lembrar que, no período anterior, o indicador apontou alta de 3,1%.
O índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, opera em leve baixa de 0,48% e atinge 2.188 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvaloriza-se 0,44% a 1.238 pontos, da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 0,38% a 10.665 pontos.
No que se refere aos mercados europeus, o índice CAC 40 da bolsa de Paris registrou leve baixa de 0,24% e atingiu 4.452 pontos; no mesmo sentido, o índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt desvalorizou-se 0,12% a 4.887 pontos. Por outro lado, o FTSE 100 da bolsa de Londres operou em leve alta de 0,23%, atingindo 5.282 pontos.
Dólar cai na manhãNo mercado de câmbio, apesar da cautela com o cenário político, o dólar registra baixa, em mais um dia de forte entrada de capitais. O desempenho do risco-país, que opera próximo dos 400 pontos, e as perspectivas econômicas seguem em evidência.
O dólar comercial opera cotado a R$ 2,3860 na compra e R$ 2,3870 na venda, forte baixa de 0,83% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana é negociada a R$ 2,6370, representando um ágio de 10,52% em relação ao dólar comercial. Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em agosto operava cotado a R$ 2.393, baixa de 0,71% em relação ao fechamento anterior.
Cautela leva à realização e pressiona mercadoO desempenho do Ibovespa nesta primeira etapa de negociações foi influenciado por dois fatores. De um lado, as melhores perspectivas econômicas e corporativas garantiram a valorização do índice pela manhã. Por outro, a cautela com os importantes eventos políticos que estão marcados para os primeiros dias de agosto e com o noticiário de fim de semana acabou levando os investidores a rever suas posições e embolsar os ganhos obtidos nos últimos três dias de negociações.
No decorrer da tarde, a revisão de carteiras e a realização de lucros deve seguir pressionando o mercado, uma vez que o quadro político preocupa muitos agentes. Entretanto, se nenhuma grande informação política negativa vier à tona, as melhores projeções em relação a economia e aos resultados das empresas devem seguir limitando as perdas, sendo que o Ibovespa tende a não registrar grandes variações até o fim do dia.