Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
29/01/09 - 19h27
InfoMoney
SÃO PAULO - Depois de quatro pregões positivos, a bolsa brasileira não resistiu à combinação de indicadores ruins e resultados frustrantes e cedeu à realização, voltando ao vermelho. A quebra do breve ciclo de alta contou com um cenário de perdas pelo mundo, que inclui contratos de metais básicos e petróleo.
Mais uma vez a temporada de resultados trimestrais acendeu o alerta de demissões e cortes de custos. Nesta quinta-feira (29), a Europa recebeu o primeiro prejuízo da petrolífera Shell em dez anos, enquanto os Estados Unidos viram perdas de US$ 5,9 bilhões da Ford no último trimestre e resultados frustrantes também de Starbucks, Allstate e Estaman Kodak. Todas cortaram postos de trabalho para reduzir custos; só a Starbucks demitiu 6.700 empregados e fechou 300 lojas.
A agenda ajudou a ofuscar a aprovação do pacote de US$ 819 bilhões de Obama pela Câmara. Os pedidos de auxílio-desemprego superaram o esperado pelo mercado na última semana, enquanto os pedidos e entregas de bens duráveis tiveram recuo maior que as expectativas em dezembro.
Por aqui, as perdas externas apertaram o gatilho da realização de lucros. As ações de melhor desempenho recente figuraram entre as mais penalizadas, com exceção do setor imobiliário, que ainda encontrou espaço para ganhos em meio à expectativa de medidas de estímulo ao setor. Entre as baixas, destaque para o setor de papel e celulose e os bancos, além do forte ajuste das ações da Vale.
Dólar em R$ 2,297Invertendo o sinal de abertura, o dólar comercial encerrou a quinta-feira (29) em alta de 0,92% frente ao real, cotado a R$ 2,2970.
O Banco Central voltou a intervir no mercado cambial para conter o avanço da divisa norte-americana e realizou leilões de venda conjugados com leilões de compra de dólares. A operação movimentou um total de US$ 675 milhões. Além disso, ocorreu um novo leilão de dólares à vista, cuja taxa de corte para venda ficou em R$ 2,2910.
Ibovespa cai 1,46%Com as perdas externas, a realização tomou conta das operações e pôs fim ao breve ciclo de quatro altas do Ibovespa. O índice encerrou com desvalorização de 1,46%, voltando a 39.638 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 2,8 bilhões.
As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram: Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
KLBN4 Klabin PN 3,19 -6,45 -3,63 2,24M
ARCZ6 Aracruz PNB 2,02 -4,72 -18,88 20,47M
TCSL3 TIM Part ON 6,80 -4,23 +38,49 1,33M
ALLL11 ALL UNT N2 8,73 -3,85 -12,70 28,40M
TMAR5 Telemar NLeste PNA 46,50 -3,83 -16,22 5,40M
As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram: Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
USIM3 Usiminas ON 27,51 +5,40 +6,42 28,54M
RDCD3 Redecard ON 26,11 +2,35 +1,60 22,11M
TRPL4 Trans Paulista PN 41,90 +1,82 +1,74 11,80M
GFSA3 Gafisa ON 11,80 +1,81 +12,49 9,81M
NATU3 Natura ON 20,10 +1,46 +5,85 15,10M
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram : Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
VALE5 Vale Rio Doce PNA 28,50 -2,96 414,96M 451,51M 13.526
PETR4 Petrobras PN 25,03 -0,67 389,89M 546,83M 13.338
GGBR4 Gerdau PN 15,19 -1,11 116,57M 87,72M 7.797
CSNA3 Sid Nacional ON 36,12 -2,56 108,83M 110,08M 4.477
BBDC4 Bradesco PN 21,05 -3,00 102,83M 124,08M 4.643
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
Depois da forte alta da véspera, a ação preferencial da Klabin liderou as perdas do Ibovespa, em repercussão às estimativas pouco otimistas do Raymond James para o setor. O melhor desempenho ficou com as ordinárias da Usiminas, após a Nippon Steel comprar a participação de 5,9% da Vale na siderúrgica.
Renda Fixa No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram sem tendência definida na BM&F Bovespa. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 11,25%, alta de 0,02 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 124,85% de seu valor de face, o que representa uma queda de 1,10%.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 409 pontos-base, queda de 3 pontos em relação ao fechamento anterior.
Bolsas dos EUA caem forteNos Estados Unidos, o índice S&P 500, que engloba as 500 principais empresas norte-americanas, fechou em forte baixa de 3,31% e atingiu 845 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice Nasdaq Composite desvalorizou-se 3,24%, a 1.508 pontos. Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 2,70%, a 8.149 pontos.
Na Europa, o índice FTSE 100 da bolsa de Londres registrou baixa de 2,45% e atingiu 4.190 pontos. No mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 2,15%, chegando a 3.010 pontos. Já o DAX 30, da bolsa de Frankfurt, caiu 2,01%, a 4.428 pontos.
Veja os indicadores previstos para a sexta-feiraNos Estados Unidos, o Departamento de Comércio revela os dados avançados do PIB (Produto Interno Bruto) e de seu deflator, ambos baseados no quarto trimestre.
Será publicado o Chicago PMI referente ao mês de janeiro, que mede o nível de atividade industrial na região. Paralelamente, a Universidade de Michigan divulga a versão revisada do Michigan Sentiment de janeiro, que mede a confiança dos consumidores na economia norte-americana.
Para finalizar, será apresentado o Employment Cost Index referente ao quarto trimestre, responsável por mensurar o custo da mão-de-obra. O indicador é muito utilizado pelo mercado como medida de inflação.
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