Bovespa: cenário segue favorável e existe espaço para novas valorizações
Por: Marcello de Almeida
24/11/06 - 20h01
InfoMoney
SÃO PAULO - A quarta semana de novembro, além de pouco expressiva em termos de indicadores econômicos, principalmente na esfera internacional, foi mais curta devido aos feriados da Consciência Negra no Brasil e do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. O mercado acionário doméstico, no entanto, não encontrou dificuldades para renovar sua máxima histórica.
Embalado pelas interessantes projeções para as empresas de capital aberto e pela notícia de que a Standard & Poor's revisou de "estável" para "positiva" sua perspectiva para o rating de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira, o Ibovespa renovou sua máxima histórica na quinta-feira, fechando o pregão aos 42.069 pontos.
Cenário segue favorável e realizações são bem vistas
Em relação às perspectivas de curto prazo, Álvaro Bandeira, da Ágora Corretora, segue otimista. "Em uma semana complicada, o mercado se comportou bem, o que indica manutenção de um quadro favorável. É claro que eventos extraordinários e imprevisíveis podem influenciar o mercado, mas, no geral, as premissas são favoráveis".
O estrategista comenta que, devido ao recente histórico de ganhos, existe a possibilidade de realizações de lucros pontuais, mas nada que altere o cenário de médio e longo prazo. Em linha com esta visão, Ângelo Larozi, da corretora Souza Barros, lembra que a próxima semana será carregada de importantes indicadores sobre a economia norte-americana e contará com a última reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária).
"Dados sobre atividade e inflação nos Estados Unidos fora do esperado e uma postura mais conservadora por parte do Copom podem influenciar alguma correção dos indicadores técnicos, que se encontram bastante esticados. Vejo um possível movimento de realizações de lucros como positivo. Traria fôlego para novas altas".
Apresentando uma análise bastante parecida às anteriores, Mauro Giorgi, economista da corretora Geração Futuro, minimiza ainda a possibilidade de ajustes muitos expressivos. "Se avaliarmos a evolução dos volumes de negociação dos últimos dias, vemos que nas sessões de alta o giro foi muito mais expressivo do que nos dias de baixa, isso indica que quando cai ninguém quer vender e quando sobe todo mundo opera".
Perspectivas para a reunião do Copom
Em relação ao resultado da reunião do Copom, Álvaro Bandeira acredita que a aceleração dos últimos indicadores de preços é pontual e não altera a percepção de que os preços estão sob controle. "Acredito que o Banco Central está mais preocupado com o longo prazo. Aposto em corte de 50 pontos-base na Selic na próxima semana".
Ângelo Larozi também acredita em um corte de tal magnitude, mas não descarta uma postura mais conservadora. "Espaço para um corte de 0,50 ponto percentual existe e eu trabalho com esta hipótese. Mas neste mês estou mais receoso. Não me surpreenderia uma redução menor".
Mais cauteloso, Mauro Giorgi acredita que o Copom vai reduzir o ritmo e implementar um corte de 25 pontos-base, o que levaria a taxa Selic 13,50% ao ano.

