Força das mineradoras deve colocar a negociação de preço do ferro em stand by
Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
26/02/09 - 16h30
InfoMoney
SÃO PAULO - A rodada de negociações que irá determinar o preço de
referência para os contratos de fornecimento de minério de ferro traz
novidades. Nesta quinta-feira (26), cresce o sentimento de que as conversas
se encontram em stand by, por força das mineradoras.
Na véspera, a Cisa (Chinese Iron and Steel Association) declarou que a Vale
aceitaria de imediato um corte de 10% no valor do produto. Ainda assim, o
órgão afirmou que as siderúrgicas asiáticas, lideradas pela Baosteel, estão
dispostas a negociar somente com uma redução entre 30% e 40% nos preços.
Nesta quinta-feira, a agência Shanghai Securities News noticiou que a
tríade das mineradoras (Vale, BHP e Rio Tinto) mantém a estratégia de
esperar um momento mais favorável para tomar uma decisão. As três buscam
uma maior estabilização do mercado para partirem para um acordo de preços.
Preços spot questionados
O argumento das fornecedoras partiria do fato de que ainda há sinais
díspares sobre o ambiente do mercado. Enquanto a crise devastou a produção
de aço na China, os preços do minério de ferro no mercado spot - à vista -
começaram a se recuperar desde o início de dezembro, enquanto os estoques
de minério nos portos chineses apontam forte retração, até como efeito dos
cortes de produção anunciados pelas mineradoras.
A semana passada questionou este movimento de recuperação dos preços spot.
Os preços à vista do minério de ferro indiano caíram 8,8%, atingindo 620
yuans por tonelada. Foi a primeira retração no mercado spot desde a virada
do ano.
Rio Tinto prefere esperar
O indício de que a ponta mineradora tenta postergar as negociações partiu
da Rio Tinto. Nesta quinta-feira, foi noticiado no portal Chinaming.org que
executivos da empresa manifestaram que é preferível esperar uma maior
estabilização do mercado para avançar com as negociações.
A estratégia vai na tentativa de sinais consistentes de melhoria do cenário
para a produção de aço, que encontra diversos esforços governamentais pelo
mundo para seu estímulo.
A força de Vale, BHP e Rio Tinto
Outra afirmação importante desta quinta-feira vem do portal Umetal, no qual
o analista Hu Kai afirma que, se as três grandes mineradoras decidirem
reduzir em 10% ou 15% suas produções, faltará minério no mercado chinês.
Kai também é enfático ao comentar a liderança da Baosteel na ponta
siderúrgica das negociações. "A liderança da Baosteel não significa vitória
chinesa nas negociações, (..), o grupo encabeçou as conversas dos dois
últimos anos, e os preços para a Ásia estão 14,8% mais elevados que para as
siderúrgicas europeias, o que custa caro para as indústrias asiáticas".
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