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Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Como as empresas irão enfrentar o ano que vem

Como as empresas irão enfrentar o ano que vem
Por Rafael Sigollo, de São Paulo
29/12/2008

Contenção de custos administrativos, de treinamentos que não forem
considerados essenciais e de viagens. Congelamento de promoções, de
contratações e, em alguns casos, medidas mais agressivas como demissões,
tanto no nível gerencial quanto no operacional. Soluções emergenciais como
estas, que funcionam principalmente no curto prazo, já se fazem presentes
em grande parte das empresas no mundo todo. Os principais impactos da
crise sentidos até o momento pelas companhias, no entanto, são a contração
do crédito e a prorrogação e o cancelamento de investimentos. Essa é a
conclusão de uma pesquisa realizada em novembro pelo Hay Group com 40
empresas instaladas no Brasil de diversos setores como químico, elétrico,
papeleiro, siderúrgico, farmacêutico, alimentício, varejo e serviços -
cada uma delas com faturamento anual entre US$ 100 milhões a US$ 1 bilhão.

Trinta por cento das companhias, por exemplo, já sentem mudanças no
posicionamento de clientes e fornecedores. O resultado disso é o aumento
de custos, redução de produção e de vendas. Por esse motivo, cerca de 60%
das empresas revisaram o orçamento para o ano que vem para se adaptarem ao
novo mercado e conseguirem equilibrar as contas. Na agenda de 63% das
empresas pesquisadas está a negociação de preços de matérias-primas e
insumos nos próximos 12 meses e quase 25% admitiram que aumentarão os
preços de seus produtos e serviços durante esse período.

Diante destas perspectivas, a maioria (40%) irá adotar uma postura
conservadora em 2009 e fará ajustes na receita de apenas 5% acima ou
abaixo do nível atual. Como medidas para conter a crise, 76% optaram por
postergar investimentos e 39% irão além, cancelando investimentos e até
aquisições de outras empresas. Para Vicente Gomes, diretor do Hay Group,
alguns setores sofrem mais do que outros e não conseguirão evitar
demissões. "Em qualquer movimento da economia, uns ganham e outros perdem.
Mesmo as empresas que não foram tão impactadas num primeiro momento, como
as que produzem bens não duráveis voltados para o mercado interno, têm
tomado diversas providências por precaução. Tranqüilo ninguém está",
afirma. Para 63% dos presidentes e diretores de RH que participaram do
estudo, a preocupação de seus funcionários e colaboradores com a crise é
uma realidade. Novas contratações foram canceladas em metade das empresas,
40% já planejam uma revisão da estrutura organizacional e os cortes estão
previstos em 20%.

De acordo com o diretor, é essencial que em um momento de turbulência os
gestores saibam identificar e consigam reter os talentos e os executivos
de alta performance no quadro de colaboradores. A medida tem por objetivo
dar condições para que esses funcionários diferenciados contribuam na
otimização de recursos e na produtividade, além de manterem a empresa
competitiva mesmo depois da crise. "As organizações estão agindo com o
máximo de cuidado, preservando tudo o que for possível dentro da
perspectiva de ser eficiente e estar bem condicionado no futuro", garante.


Ainda que estejam preocupados e sentindo os efeitos da crise, os líderes
brasileiros acreditam que a situação é reversível e não deixará grandes
seqüelas. Para 80% deles, em no máximo dois anos o mercado estará
recuperado e voltará a apresentar números positivos. Embora precisem se
adequar ao novo cenário, muitos estão encarando este momento como uma
oportunidade e vislumbram até mesmo possibilidades de crescimento. Quase
30% esperam que a receita de sua companhia cresça no ano que vem, sendo
que a grande maioria estima que o índice fique entre os 5% e 15% a mais do
que em 2008. "Podemos dizer que esse é o lado positivo disso tudo. Até
mesmo por uma questão de sobrevivência, muitas empresas estão repensando
seu modelo de negócios, colocando em prática inovações, lançando produtos
ou serviços e melhorando seus processos internos", ressalta Gomes.


O diretor do Hay Group afirma que, nos últimos anos, com o cenário
econômico favorável, as organizações cresceram muito rápido. Agora, é
natural que se busque maior eficiência operacional e o máximo de retorno
dos investimentos passados. "É como se as empresas estivessem indo à
academia e se condicionando para enfrentar uma maratona", compara. Para
Gomes, o futuro dessas organizações dependerá das decisões que forem
tomadas agora. "Quem conseguir fazer os ajustes necessários e atravessar
esse período sem sofrer muitos desfalques sairá fortalecido."

BOLSA SOBE, DÓLAR E JURO CAEM EM SEMANA DE BAIXA LIQUIDEZ

O mercado financeiro registrou poucos negócios nesta sexta-feira, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O ceticismo dos investidores sobre o futuro da economia global podou o rali de fim de ano, quando os investidores poderiam tentam recuperar parte das fortes perdas registradas durante o ano. Desta vez, por causa da crise, o movimento foi tímido e inconsistente. Sem indicadores econômicos nos EUA, a decisão do Federal Reserve de aprovar o pedido do braço financeiro da General Motors - a GMAC - para se tornar holding bancária ajudou a neutralizar a informação negativa no setor de varejo, que teve queda nos gastos dos consumidores nos EUA em dezembro. A unidade GMAC agora poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed. A recuperação parcial dos preços do petróleo e o avanço de algumas commodities metálicas também favoreceram os índices acionários. As bolsas em Nova York operaram a maior parte da sessão no positivo. A Bovespa subiu 1,08% hoje, mas teve o menor giro do ano. Na semana, contudo, caiu 5,79%. O dólar à vista caiu na sessão, mas contabiliza valorização de 0,21% na semana, de 2,42% no mês e de 33,52% no ano. Os juros futuros ficaram praticamente estáveis, diante da perspectiva de uma economia mais fraca em 2009 que tende a justificar o início da flexibilização monetária no País em janeiro.


BOLSA
A última sexta-feira de 2008 foi morna no mercado acionário. Incrustada entre o feriado de Natal e o final de semana, a sessão registrou o menor volume financeiro do ano, com alguns raros investidores na ativa. Isso não impediu, entretanto, que fosse interrompido um ciclo de cinco quedas seguidas.

A Bovespa terminou o pregão em alta de 1,08%, aos 36.864,13 pontos. Na mínima, atingiu 36.334 pontos (-0,38%) e, na máxima, 37.136 pontos (1,82%). Na semana, acumulou queda de 5,79%. No mês, a Bolsa sobe 0,74%, mas, em 2008, cai 42,30%.

O giro financeiro foi o menor de 2008 ao totalizar R$ 1,192 bilhão. Depois de um ano desgastados pela crise e à espera de notícias melhores - a expectativa mais empolgante no curto prazo e com fôlego para mudar os ânimos é a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos - os investidores concluíram que as festas de final de ano foram providenciais. Assim, praticamente emendaram esta e também devem fazê-lo na próxima, só voltando aos negócios com mais vigor a partir de cinco de janeiro.

A Bovespa abriu em alta e operou nesse sentido até o início da tarde, acompanhando as bolsas norte-americanas. Neste momento, entretanto, o índice virou para baixo e renovou as mínimas, para depois engatar num movimento indeciso entre positivo e negativo e ficar assim boa parte da sessão restante. O sinal se firmou no azul de novo perto da última hora.

Segundo um operador, os investidores foram às compras de manhã na expectativa da reação de Wall Street à notícia da GMAC. Anteontem, o Federal Reserve atendeu ao pedido do braço financeiro da General Motors e permitiu que a unidade virasse uma holding bancária. Assim, poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed.

"Quem comprou de manhã passou a vender à tarde. Mas como não havia um grande comprador para assumir as ofertas, os preços passaram a cair", explicou o profissional do mercado para justificar a queda momentânea do Ibovespa. "A reação de NY à notícia não foi grande coisa, daí a Bovespa ter patinado", acrescentou. A sustentação das blue chips em elevação e a recuperação de Wall Street garantiram o fechamento em alta.

Segundo ele, a tendência para as próximas semanas não deve sofrer alteração. "É preciso uma massa bem grande de boas notícias para efetivar uma mudança na percepção dos investidores", disse para justificar a inconsistência dos movimentos de correção para cima das bolsas.

Hoje, a alta do petróleo deu fôlego às ações da Petrobras, que fecharam em alta, na máxima. As ações também podem ter sido influenciadas pelo pagamento de dividendos no valor de R$ 0,80 por ação, que será feito com base na posição acionária de hoje, conforme observou a editora Lucia Kassai, do AE Empresas e Setores. Petrobras ON, +3,71%, PN, +3,64%.

Vale também avançou +4,80% a ON e a PNA, +2,97%. A mineradora anunciou, na quarta-feira, a compra dos ativos de exportação de carvão da colombiana Cementos Argos S.A., por US$ 300 milhões. O cobre fechou em alta no mercado externo, assim como o ouro e a prata.

Os contratos futuros do petróleo operaram sustentados por indicações de que a Opep seguirá seus esforços para manter os preços em níveis mais equilibrados. Ontem, os Emirados Árabes unidos declararam que irão cortar suas exportações em até 15% em fevereiro - a primeira redução para este mês anunciada por um membro da Opep desde que o grupo pediu atuação dos países membros para colocar um piso no mercado. Na Nymex, o contrato para fevereiro fechou em alta de 6,68%, a US$ 37,71.

Às 18h35, o Dow Jones operava em alta de 0,61%, o S&P, de 0,80%, e o Nasdaq, de 0,30%. Dados divulgados hoje mostraram que as vendas de Natal recuaram. Segundo números da consultoria SpendingPulse, da MasterCard, houve queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se à retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Por outro lado, a varejista online Amazon.com informou que teve seu melhor Natal.

No Brasil, as vendas no Natal cresceram. Pelo Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio, na capital paulista o crescimento das vendas no varejo foi de 1,1% e, no País, de 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), as vendas de Natal dos shoppings cresceram 3,5% em comparação com o ano anterior. Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), houve crescimento de 1,65% de 1 a 25 de dezembro ante o mesmo período do ano passado.

As maiores altas do pregão hoje foram BM&FBovespa ON (+5,22%), Cyrela ON (+4,91%) e Vale ON (+4,80%), e as maiores quedas, BrT Par PN (-8,08%), VCP PN (-5,11%) e TAM PN (-4,65%).

As ações da Telebrás foram destaque hoje, depois que a empresa informou que a União, acionista majoritária da companhia, tem interesse em realizar um aumento de capital, por meio da emissão de novas ações, no montante de até R$ 200 milhões. As ON subiram 21,62% e as PN, +35,48%.

Com o aumento de capital, a Telebrás está mais próxima de se tornar a gestora de um programa nacional de inclusão digital. Para tanto, segundo técnicos do governo, a Telebrás usaria a rede de fibras óticas da falida Eletronet, uma prestadora de serviços de telecomunicações criada em 1999 por empresas de energia elétrica e que entrou em falência em 2003 (ver nota às 15h56).

Aracruz PNB fechou em alta de 0,88%. A negociação envolvendo a empresa e instituições financeiras a respeito do pagamento das perdas de US$ 2,1 bilhões que a fabricante de celulose acumulou com operações de derivativos deverá ser concluída em um prazo de 30 dias, previu o executivo de uma das empresas que foram contraparte nas operações e que mantêm conversações com a Aracruz.

Eletropaulo PNB fechou em alta de 3,99%. A Justiça tomou uma decisão que se traduzirá em uma receita extraordinária de R$ 123,8 milhões no quarto trimestre. A Eletropaulo havia provisionado o valor em função de uma disputa judicial sobre o aumento da base de cálculo do PIS/Cofins. Com a vitória na Justiça, o valor será revertido.


CÂMBIO
O dólar no mercado à vista oscilou entre leves quedas e altas até terminar no negativo nesta sexta-feira de poucos negócios, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O fluxo cambial foi muito fraco e o Banco Central não fez nenhum leilão. Assim, os investidores monitoraram o comportamento externo do dólar.

Contudo, as oscilações do dólar no mercado de moedas acabaram tendo influência limitada sobre a formação de preços à vista, uma vez que a liquidez e a volatilidade das moedas foram estreitos por causa dos feriados no Canadá e no Reino Unido e os mercados da Austrália, da Nova Zelândia, de Hong Kong, da Indonésia e das Filipinas não funcionaram durante a madrugada, disse um operador de tesouraria de uma instituição estrangeira.

No fechamento, o dólar no balcão caiu 0,21%, para R$ 2,370, após oscilar entre uma mínima de R$ 2,360 (-0,63%) e máxima de R$ 2,383 (+0,34%). Na semana, porém, o pronto no balcão apurou alta de 0,21%; no mês sobe 2,42%; e no ano, o ganho é de 33,52% até o momento. Na BM&F, o pronto recuou 0,83%, para R$ 2,3671 nesta sexta-feira. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,224 bilhão, dos quais cerca de US$ 1,159 bilhão em D+2.

O fluxo cambial foi pequeno e tendeu ao negativo. "Alguns importadores zeraram operações residuais de fim de ano", observou o operador da instituição estrangeira consultada em São Paulo. Outro profissional de tesouraria de um banco nacional disse, de outro lado, que pode ter sido registrada alguma entrada financeira pontual, mas que não foi identificada, uma vez que alguns players operaram, aparentemente, para enfraquecer a ptax, num movimento típico de quando há fluxo favorável, avaliou.

No mercado de dólar futuro da BM&F, apenas dois vencimentos foram transacionados na sessão e ambos projetaram taxas mais baixas. De acordo com a assessoria de imprensa da bolsa, o dólar janeiro de 2009 apontou queda de 0,93%, a R$ 2,371, com volume financeiro de US$ 2,34 bilhões; e o dólar fevereiro09 indicou recuo de 0,92%, a R$ 2,396, com giro de US$ 199,05 milhões movimentados. O último negócio com o dólar janeiro, segundo um operador, saiu a R$ 2,372, com declínio de 0,79%.

No exterior, o destaque foi o euro, que operou a maior parte do dia em alta ante o dólar e por volta das 12h40 atingiu a máxima histórica em comparação à moeda britânica, de 0,9575 libra esterlina. Mas a liquidez também foi fraca no mercado internacional de moedas e a expectativa dos analistas é de que continue assim até o final do mês.

Às 18h12, o euro quase zerava os ganhos intraday e operava a US$ 1,4048, de 1,4045 na quarta-feira, enquanto o dólar subia para 90,59 ienes, de 90,42 ienes na quarta-feira. A libra registrava queda para US$ 1,46695, de US$ 1,4775 na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, o dólar mantém-se em níveis superiores a 90 ienes pela segunda sessão consecutiva em duas semanas. Na semana passada, a moeda norte-americana atingiu mínima em 13 anos em relação à moeda japonesa, de 87,13 ienes, de acordo com informações da agência Dow Jones. Os fracos indicadores da economia japonesa ajudaram a dar sustentação ao dólar, enquanto os mercados não descartam uma eventual intervenção do governo japonês caso o iene sofra uma valorização muito acentuada. O Ministério de Finanças do Japão alertou recentemente que está acompanhando os movimentos do mercado de câmbio e tomará medidas apropriadas caso seja necessário.

Dados divulgados mais cedo mostraram que em novembro a produção industrial japonesa teve queda de 8,1% - a maior já registrada - em comparação ao mês anterior. Também houve declínio no consumo e no número de empregos do país. O ritmo de aumento dos preços ao consumidor no Japão também teve o maior desaquecimento desde a primavera de 1981 em novembro, de acordo com a Dow Jones.

Nos EUA, as informações sobre as vendas no varejo na temporada de compras antes do Natal reforçaram a fraqueza da economia do país. A consultoria SpendingPulse, da MasterCard, informou uma queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se a retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Uma desaceleração de 40% nos preços da gasolina em relação ao mesmo período do ano passado contribuiu para a queda nas vendas totais.


JUROS
Sem nenhuma notícia com força para mexer com as taxas, o mercado de juros operou nesta sexta-feira com volume reduzido e pouca oscilação em relação ao dia 23. Os dados referentes às vendas de Natal (Serasa, ACSP e Alshop) serviram apenas para mostrar que afinal as vacas magras não chegaram a tempo para atrapalhar o comércio neste fim de ano. De qualquer modo, o mercado já vislumbra um cenário de economia bem mais fraca em 2009, o que provavelmente obrigará o Banco Central a afrouxar a política monetária logo no início do ano.

Na negociação estendida do mercado de juros futuros da BM&F, entre 16h45 e 18h, O DI janeiro/2010, o mais líquido, teve 55.215 contratos negociados e ficou em 12,29%, de 12,28% no fechamento e no ajuste de terça-feira. O vencimento para janeiro/2012, com 16.605 ativos, encerrou em 12,67%, mesmo patamar do encerramento do dia 23 e de 12,64% no ajuste de terça-feira.

O Serasa informou que as vendas de Natal no varejo do País cresceram 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período de 2007. A da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) informou que a média das compras feitas pelo consumidor paulistano registrou crescimento de 1,65% entre os dias 1 e 25 de dezembro. Já os números da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) revelaram crescimento de 3,5% em relação ao ano passado, segundo o valor das vendas.

A próxima semana também deve ser de volume minguado de negócios por causa do feriado de Ano Novo e, a princípio, nenhum indicador deve tirar a apatia do mercado de juros. Mas o mercado ainda assim vai estar de olho na pesquisa Focus e no IGP-M de dezembro, ambos na segunda-feira. As estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções variam de uma deflação de 0,16% a uma leve inflação 0,09%, com mediana de -0,05%. Para o ano fechado, as previsões oscilam de 9,80% a 10,00%, com mediana em 9,88%.

VALOR DAS PESSOAS E EMPRESAS EM FACE DA CRISE MUNDIAL

William Douglas, Professor, Juiz Federal

Quanto vale sua empresa? E você?


Bem, todos estão dizendo que tudo está valendo menos. A Vale e a Petrobras estão valendo a metade, o mundo, até menos que isso. Bem, boa parte de quem faz esta avaliação é o mesmo pessoal que inventou as complicadíssimas operações financeiras que estão a ponto de quebrar o planeta.

Eu, como pessoa, continuo valendo a mesma coisa. Tudo o que sei fazer, que faço, continua o mesmo de antes da crise. Aliás, estou certo de que passei a valer mais ultimamente. Sim, por que já passei por momentos difíceis antes. Sei a quem recorrer: A Deus, que sempre me ajudou; aos valores internos, que sempre procurei seguir e que são um fundamento seguro em tempos de agitação e turbulência; à competência adquirida em estudo e nessa longa viagem; em disposição para trabalhar, sob quaisquer circunstâncias, para seguir em frente e não só alimentar os filhos, como também mudar o que eu puder da realidade, e para buscar sentido.

Eu valho mais na crise, porque continuo tendo o que sempre tive, porque na crise, durante ela, vão ser ainda mais necessárias às virtudes e atitudes que tenho, que fui obrigado a desenvolver para chegar até aqui. Cada vez que a Bolsa cai, eu acordo valendo mais.

Não que eu não tenha medo da crise, tenho, me preocupo, é obvio, não sou um irresponsável. Apenas sei que com ela ou sem ela eu continuarei trabalhando e que as coisas que deram certo até hoje continuarão dando certo amanhã: fé, trabalho, dedicação, honestidade, dar mais do que é pedido, tratar os outros como gostaria de ser tratado. Isso funciona em qualquer cenário, mesmo naqueles (e talvez mais ainda naqueles) em que um grupo de pessoas age sem ética, querendo lucro exagerado, pensando apenas em seus próprios interesses e inventando ganhos sem o lastro do trabalho.

Fui criado num ambiente onde "a vida do homem não consiste na abundância dos bens que possui", onde se indaga aos meninos "de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?", onde fé e trabalho são valores nos quais se acredita. Esse é um ambiente com menos glamour, luxo, lucros recordes, palavras e operações de nomes complicados... mas um ambiente que não perde valor quando as curvas do telão da Bolsa insistem em embicar para o chão.

Quanto maior a escuridão, maior diferença faz uma pequena chama. E fé, valores e trabalho são fogueiras acesas em meio a qualquer cenário. E a mente do homem é o primeiro dos cenários de decisão a respeito do que virá no amanhã. É preciso zelar pelas idéias que permitimos repousar nela.

Estou certo de que eu acordo valendo mais quanto maior for a crise. E as instituições e empresas onde estou não podem perder valor, listadas em Bolsa ou não, ao menos do ponto de vista do "valor" mais importante que existe.

Vamos vender menos? Há menos dinheiro em circulação? Tudo está mais barato? Ora, ora, ora, tempestades não são novidade para mim nem para as instituições e empresas onde trabalho. Continuarei a fazer as coisas como sempre fiz, e estaremos aqui depois dessa chuva... às vezes até por falta de opção, mas continuaremos a trabalhar e sabemos fazer isso.

O que determina meu valor não é o cenário exterior.

Viktor Frankl, um psicólogo que ficou anos nos campos de concentração da Alemanha nazista, nos quais perdeu toda sua família, foi obrigado a lidar com uma crise bem maior do que a nossa. No campo de concentração tudo está perdido, a família, a roupa do corpo, o emprego, o futuro, tudo. Todo o patrimônio e todas os direitos são desfeitos, confiscados. Fome, humilhação, medo, sofrimento e tortura são a regra.

Nesse cenário, bem pior do que o nosso de hoje, Frankl desenvolveu o que chamou de "a última liberdade humana", qual seja, a capacidade de "escolher a atitude pessoal diante de determinado conjunto de circunstâncias".

Este homem realizou sessões terapêuticas nos seus companheiros de prisão e um dos seus desafios era de "como despertar num paciente o sentimento de que é responsável por algo perante a vida, por mais duras que sejam as circunstâncias?". Para ele, "a vida tem um sentido potencial sob quaisquer circunstâncias, mesmo as mais miseráveis". E logrou êxito ao provar sua tese numa situação tão extrema como a de um campo de concentração. A tese está em seu livro "Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração" (Ed. Vozes, 2008), de onde saíram as citações deste parágrafo (pp.7-10).

Se continuar tendo fé e trabalhando, adquirindo conhecimento e experiência, seguindo valores éticos e pessoais que sejam seguros, em 2009 estarei valendo mais do que em 2008. Não poderei dizer se isso dará mais ou menos que o CDI, o Dólar, o Euro, o ouro. Sei apenas que são referências que não se apequenam diante das crises, ao contrário.

Como diz o próprio Frankl (ob. cit, p. 10), sucesso e felicidade, e acrescentaria ainda riqueza e dinheiro - ao menos para serem obtidos de modo seguro -, têm um segredo. Para ele quanto mais se procura o sucesso e o transformamos em um alvo, maior a chance de errar. "O sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior do que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser. A felicidade deve acontecer naturalmente, e o mesmo ocorre com o sucesso; vocês precisam deixá-lo acontecer não se preocupando com ele. Quero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira possível. E então vocês verão que a longo prazo - estou dizendo a longo prazo! - o sucesso vai persegui-los, precisamente porque vocês esqueceram de pensar nele".

Esta é uma boa fórmula para 2009: dedicarmo-nos a uma causa maior, seguirmos a consciência e fazermos as coisas da melhor maneira possível. Em longo prazo, isto terá como efeito colateral, como subproduto: sucesso, felicidade, riqueza, paz de espírito.

A crise atual é efeito colateral e subproduto de atitudes, valores e comportamentos equivocados e pode nos atingir, assim como o campo de concentração e o nazismo atingiram Frankl. Mas, como ele, dispomos da "última liberdade humana", de atitudes, valores e comportamentos alternativos, que servem de rumo, garantia e salvaguarda. Por isso, cada vez que a Bolsa cai, quem tem valores sólidos e está trabalhando, acorda valendo mais.

Domingo, Dezembro 28, 2008

Produto Obama - Míriam Leitão: O Globo Online

Produto Obama - Míriam Leitão: O Globo Online

Produto Obama

Barack Obama virou commodity e está em liquidação nos EUA. Anúncio na televisão avisa que a porcelana decorativa da eleição de Obama está por um preço especial; o “New York Times” anuncia promoção da sua primeira página com o famoso “Barreira racial cai em vitória decisiva” e oferece xícaras com a foto do presidente. O rosto dele é onipresente nos shoppings, nas ruas, nas livrarias.

A história do menino de pai africano e mãe americana, que vê o pai apenas uma vez, vai à África atrás de suas origens, faz carreira política de sucesso e se torna presidente já tem uma versão em livro infantil. Michelle, que no começo da campanha era criticada por declarações que não cabiam no figurino de primeira-dama, já tem biografia nas bancas das livrarias. Fotos da nova primeira-família estão à venda em bancas, lojas de rua e boas casas do ramo. No Central Park se pode comprar uma fotomontagem em que o ex-presidente John Kennedy e o reverendo Martin Luther King olham para Obama, que está no meio dos dois. Pode-se também ter uma versão mais negativa. Os três estão juntos, mas Kennedy e King olham para lados opostos e estão de costas para Obama. Camisetas com frases e fotos, chaveirinhos, bolas, pode-se comprar qualquer coisa com o sucesso da temporada. Nas livrarias, o primeiro livro autobiográfico de Obama está na estante de assuntos afro-americanos. Na Universidade de Columbia, está na estante dos mais vendidos do ano naquela livraria.

O produto Obama vende bem neste início do que os economistas, em coro, projetam ser a pior crise desde a grande depressão. Enquanto Obama virou commodity em bolha de consumo, o presidente em exercício prepara a mais patética saída do cargo da História recente americana. Na Casa Branca, o fantasma que ronda George W. Bush é o de Herbert Hoover, o presidente que deixou a terra arrasada para o sucessor Franklin D. Roosevelt.

Mas Bush ainda sonha com uma saída honrosa, e convoca fantasmas mais ilustres. Disse num discurso recente que tudo começou com um George W. — no caso, W de Washington — e está terminando o governo de outro George W. Difícil entender o sentido da convocação histórica. Bush, nos últimos tempos, tem dado entrevistas introspectivas, admitindo erros, com voz de lamento, ar de fim de feira. Nada está terminando, a não ser esse infeliz governo, que tem uma dramática coleção de erros em todas as áreas. O tom de algumas entrevistas permite imaginar que ele já começou a sofrer de uma espécie de DPG, depressão pós-governo. O governo Bush não é ruim apenas porque termina em crise econômica ou em duas guerras inconclusas. Ele foi ruim sistematicamente pelas escolhas que fez em diversas áreas.

“Comprem, últimos dias, encomendem agora”, avisa o vendedor das porcelanas decorativas com as fotos do presidente eleito. Depois de terminado o prazo, informa o anúncio, os pratos serão queimados. “Essa é a última chance de guardar esse momento histórico.” E a propaganda termina com depoimentos de famílias brancas e negras dizendo que não pensavam em ver tão cedo um evento como esse.

O evento é a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ele chega após uma longa trajetória de avanços na formação de canais de ascensão que criaram uma elite negra poderosa. Obama está longe de ser avis rara. São inúmeras as histórias de sucesso e afro-americanos prontos para postos de comando no país, como mostram várias de suas nomeações. Mas a distância ainda é imensa e há estatísticas assustadoras.

Como no Brasil, quem mais está em risco é o jovem do sexo masculino entre 16 e 24 anos. Um dado espantoso está no livro recém-lançado (ainda sem tradução no Brasil) “Waiting for Lightning to Strike. The Fundamentals of Black Politics”, do escritor Kevin Alexander Gray: “Nacionalmente, um em cada três jovens negros de 16 a 24 anos está sob algum tipo de supervisão da Justiça Criminal. Há dez anos era um em cada quatro.” Gray, intelectual da velha esquerda negra americana, foi diretor da campanha de Jesse Jackson. Ele alerta que, a partir da escolha de Obama nas primárias, começou a se fazer um imenso silêncio nos EUA sobre a trajetória do movimento negro. O ponto dele é que, agora, fala-se de cada detalhe da saga pessoal de Obama, como se isso resumisse e resolvesse tudo; como se não houvesse um longo e doloroso processo ainda inconcluso, e assustadores sinais de perigo.

Sobre Obama pesam expectativas demais. Ele terá que consertar uma economia em frangalhos, encerrar guerras pantanosas e passar por testes de desempenho que são maiores para ele.

Na rica Manhattan, o ambiente sombrio de crise parece ser mais visível do que na ensolarada e latina Miami. Na Flórida, as lojas cheias, os engarrafamentos nos shoppings e as filas nos caixas mostram a face de uma economia mais normal. Mesmo na Flórida, onde Obama ganhou com margem menor de votos, os partidários de McCain já recolheram seus cartazes e ressentimentos, e aguardam o novo governo. Nas duas cidades, tão diferentes em tudo, há um ponto em comum: o rosto de Obama virou produto que alavanca vendas.

Sábado, Dezembro 27, 2008

Israel- Ataque contra Gaza é 'apenas o início'

Cidade de Gaza - Israel declarou que o ataque aéreo conduzido na manhã de hoje contra Gaza é "apenas o início" de uma operação definida pelo gabinete de segurança do governo israelense. Em uma ofensiva sem precedente contra vários complexos de segurança do Hamas em Gaza, pelo menos 155 pessoas morreram e outras 310 ficaram feridas, entre as quais crianças que voltavam da escola. A maior parte dos complexos de segurança do Hamas situam-se em áreas civis. "É apenas o começo de uma operação deflagrada após uma decisão do gabinete de segurança. Pode levar tempo. Não fixamos um período, mas agiremos de acordo com a situação em terra", disse o porta-voz do Exército de Israel, Avi Benayahu, na radio do exército.

O militar israelense afirmou que os ataques aéreos foram lançados em uma tentativa de interromper os "ataques terroristas" do Hamas. "Nossa aviação interveio maciçamente neste sábado contra a infra-estrutura do Hamas na Faixa de Gaza para parar os ataques terroristas das últimas várias semanas contra instalações civis israelenses", disse outro porta-voz do Exército em entrevista.


Somente na Cidade de Gaza, pelo menos 70 pessoas morreram, a maior parte dentro dos quartéis do Hamas, disseram os médicos. A ofensiva acontece após vários dias de ataques seguidos de morteiros contra regiões na fronteira de Israel por militantes do Hamas, aos quais Israel advertiu que responderia com rigor.


Israel deixou Gaza em 2005 após 38 anos de ocupação, mas a retirada não melhorou a relação do país com os palestinos no território como as autoridades israelenses esperavam. Ao invés disso, a retirada foi sucedida por aumento nos ataques de militantes contra comunidades na fronteira com Israel, provocando resposta do Exército israelense. Com informações da Dow Jones e da Associated Press. (AE)

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