O mercado financeiro registrou poucos negócios nesta sexta-feira, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O ceticismo dos investidores sobre o futuro da economia global podou o rali de fim de ano, quando os investidores poderiam tentam recuperar parte das fortes perdas registradas durante o ano. Desta vez, por causa da crise, o movimento foi tímido e inconsistente. Sem indicadores econômicos nos EUA, a decisão do Federal Reserve de aprovar o pedido do braço financeiro da General Motors - a GMAC - para se tornar holding bancária ajudou a neutralizar a informação negativa no setor de varejo, que teve queda nos gastos dos consumidores nos EUA em dezembro. A unidade GMAC agora poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed. A recuperação parcial dos preços do petróleo e o avanço de algumas commodities metálicas também favoreceram os índices acionários. As bolsas em Nova York operaram a maior parte da sessão no positivo. A Bovespa subiu 1,08% hoje, mas teve o menor giro do ano. Na semana, contudo, caiu 5,79%. O dólar à vista caiu na sessão, mas contabiliza valorização de 0,21% na semana, de 2,42% no mês e de 33,52% no ano. Os juros futuros ficaram praticamente estáveis, diante da perspectiva de uma economia mais fraca em 2009 que tende a justificar o início da flexibilização monetária no País em janeiro.
BOLSA A última sexta-feira de 2008 foi morna no mercado acionário. Incrustada entre o feriado de Natal e o final de semana, a sessão registrou o menor volume financeiro do ano, com alguns raros investidores na ativa. Isso não impediu, entretanto, que fosse interrompido um ciclo de cinco quedas seguidas.
A Bovespa terminou o pregão em alta de 1,08%, aos 36.864,13 pontos. Na mínima, atingiu 36.334 pontos (-0,38%) e, na máxima, 37.136 pontos (1,82%). Na semana, acumulou queda de 5,79%. No mês, a Bolsa sobe 0,74%, mas, em 2008, cai 42,30%.
O giro financeiro foi o menor de 2008 ao totalizar R$ 1,192 bilhão. Depois de um ano desgastados pela crise e à espera de notícias melhores - a expectativa mais empolgante no curto prazo e com fôlego para mudar os ânimos é a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos - os investidores concluíram que as festas de final de ano foram providenciais. Assim, praticamente emendaram esta e também devem fazê-lo na próxima, só voltando aos negócios com mais vigor a partir de cinco de janeiro.
A Bovespa abriu em alta e operou nesse sentido até o início da tarde, acompanhando as bolsas norte-americanas. Neste momento, entretanto, o índice virou para baixo e renovou as mínimas, para depois engatar num movimento indeciso entre positivo e negativo e ficar assim boa parte da sessão restante. O sinal se firmou no azul de novo perto da última hora.
Segundo um operador, os investidores foram às compras de manhã na expectativa da reação de Wall Street à notícia da GMAC. Anteontem, o Federal Reserve atendeu ao pedido do braço financeiro da General Motors e permitiu que a unidade virasse uma holding bancária. Assim, poderá ter direito a parte dos recursos do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp), de US$ 700 bilhões do governo, além de poder acessar a janela de redesconto do Fed.
"Quem comprou de manhã passou a vender à tarde. Mas como não havia um grande comprador para assumir as ofertas, os preços passaram a cair", explicou o profissional do mercado para justificar a queda momentânea do Ibovespa. "A reação de NY à notícia não foi grande coisa, daí a Bovespa ter patinado", acrescentou. A sustentação das blue chips em elevação e a recuperação de Wall Street garantiram o fechamento em alta.
Segundo ele, a tendência para as próximas semanas não deve sofrer alteração. "É preciso uma massa bem grande de boas notícias para efetivar uma mudança na percepção dos investidores", disse para justificar a inconsistência dos movimentos de correção para cima das bolsas.
Hoje, a alta do petróleo deu fôlego às ações da Petrobras, que fecharam em alta, na máxima. As ações também podem ter sido influenciadas pelo pagamento de dividendos no valor de R$ 0,80 por ação, que será feito com base na posição acionária de hoje, conforme observou a editora Lucia Kassai, do AE Empresas e Setores. Petrobras ON, +3,71%, PN, +3,64%.
Vale também avançou +4,80% a ON e a PNA, +2,97%. A mineradora anunciou, na quarta-feira, a compra dos ativos de exportação de carvão da colombiana Cementos Argos S.A., por US$ 300 milhões. O cobre fechou em alta no mercado externo, assim como o ouro e a prata.
Os contratos futuros do petróleo operaram sustentados por indicações de que a Opep seguirá seus esforços para manter os preços em níveis mais equilibrados. Ontem, os Emirados Árabes unidos declararam que irão cortar suas exportações em até 15% em fevereiro - a primeira redução para este mês anunciada por um membro da Opep desde que o grupo pediu atuação dos países membros para colocar um piso no mercado. Na Nymex, o contrato para fevereiro fechou em alta de 6,68%, a US$ 37,71.
Às 18h35, o Dow Jones operava em alta de 0,61%, o S&P, de 0,80%, e o Nasdaq, de 0,30%. Dados divulgados hoje mostraram que as vendas de Natal recuaram. Segundo números da consultoria SpendingPulse, da MasterCard, houve queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se à retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Por outro lado, a varejista online Amazon.com informou que teve seu melhor Natal.
No Brasil, as vendas no Natal cresceram. Pelo Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio, na capital paulista o crescimento das vendas no varejo foi de 1,1% e, no País, de 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), as vendas de Natal dos shoppings cresceram 3,5% em comparação com o ano anterior. Para a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), houve crescimento de 1,65% de 1 a 25 de dezembro ante o mesmo período do ano passado.
As maiores altas do pregão hoje foram BM&FBovespa ON (+5,22%), Cyrela ON (+4,91%) e Vale ON (+4,80%), e as maiores quedas, BrT Par PN (-8,08%), VCP PN (-5,11%) e TAM PN (-4,65%).
As ações da Telebrás foram destaque hoje, depois que a empresa informou que a União, acionista majoritária da companhia, tem interesse em realizar um aumento de capital, por meio da emissão de novas ações, no montante de até R$ 200 milhões. As ON subiram 21,62% e as PN, +35,48%.
Com o aumento de capital, a Telebrás está mais próxima de se tornar a gestora de um programa nacional de inclusão digital. Para tanto, segundo técnicos do governo, a Telebrás usaria a rede de fibras óticas da falida Eletronet, uma prestadora de serviços de telecomunicações criada em 1999 por empresas de energia elétrica e que entrou em falência em 2003 (ver nota às 15h56).
Aracruz PNB fechou em alta de 0,88%. A negociação envolvendo a empresa e instituições financeiras a respeito do pagamento das perdas de US$ 2,1 bilhões que a fabricante de celulose acumulou com operações de derivativos deverá ser concluída em um prazo de 30 dias, previu o executivo de uma das empresas que foram contraparte nas operações e que mantêm conversações com a Aracruz.
Eletropaulo PNB fechou em alta de 3,99%. A Justiça tomou uma decisão que se traduzirá em uma receita extraordinária de R$ 123,8 milhões no quarto trimestre. A Eletropaulo havia provisionado o valor em função de uma disputa judicial sobre o aumento da base de cálculo do PIS/Cofins. Com a vitória na Justiça, o valor será revertido.
CÂMBIO O dólar no mercado à vista oscilou entre leves quedas e altas até terminar no negativo nesta sexta-feira de poucos negócios, espremida entre o feriado de Natal e o último fim de semana de 2008. O fluxo cambial foi muito fraco e o Banco Central não fez nenhum leilão. Assim, os investidores monitoraram o comportamento externo do dólar.
Contudo, as oscilações do dólar no mercado de moedas acabaram tendo influência limitada sobre a formação de preços à vista, uma vez que a liquidez e a volatilidade das moedas foram estreitos por causa dos feriados no Canadá e no Reino Unido e os mercados da Austrália, da Nova Zelândia, de Hong Kong, da Indonésia e das Filipinas não funcionaram durante a madrugada, disse um operador de tesouraria de uma instituição estrangeira.
No fechamento, o dólar no balcão caiu 0,21%, para R$ 2,370, após oscilar entre uma mínima de R$ 2,360 (-0,63%) e máxima de R$ 2,383 (+0,34%). Na semana, porém, o pronto no balcão apurou alta de 0,21%; no mês sobe 2,42%; e no ano, o ganho é de 33,52% até o momento. Na BM&F, o pronto recuou 0,83%, para R$ 2,3671 nesta sexta-feira. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 1,224 bilhão, dos quais cerca de US$ 1,159 bilhão em D+2.
O fluxo cambial foi pequeno e tendeu ao negativo. "Alguns importadores zeraram operações residuais de fim de ano", observou o operador da instituição estrangeira consultada em São Paulo. Outro profissional de tesouraria de um banco nacional disse, de outro lado, que pode ter sido registrada alguma entrada financeira pontual, mas que não foi identificada, uma vez que alguns players operaram, aparentemente, para enfraquecer a ptax, num movimento típico de quando há fluxo favorável, avaliou.
No mercado de dólar futuro da BM&F, apenas dois vencimentos foram transacionados na sessão e ambos projetaram taxas mais baixas. De acordo com a assessoria de imprensa da bolsa, o dólar janeiro de 2009 apontou queda de 0,93%, a R$ 2,371, com volume financeiro de US$ 2,34 bilhões; e o dólar fevereiro09 indicou recuo de 0,92%, a R$ 2,396, com giro de US$ 199,05 milhões movimentados. O último negócio com o dólar janeiro, segundo um operador, saiu a R$ 2,372, com declínio de 0,79%.
No exterior, o destaque foi o euro, que operou a maior parte do dia em alta ante o dólar e por volta das 12h40 atingiu a máxima histórica em comparação à moeda britânica, de 0,9575 libra esterlina. Mas a liquidez também foi fraca no mercado internacional de moedas e a expectativa dos analistas é de que continue assim até o final do mês.
Às 18h12, o euro quase zerava os ganhos intraday e operava a US$ 1,4048, de 1,4045 na quarta-feira, enquanto o dólar subia para 90,59 ienes, de 90,42 ienes na quarta-feira. A libra registrava queda para US$ 1,46695, de US$ 1,4775 na quarta-feira.
Nesta sexta-feira, o dólar mantém-se em níveis superiores a 90 ienes pela segunda sessão consecutiva em duas semanas. Na semana passada, a moeda norte-americana atingiu mínima em 13 anos em relação à moeda japonesa, de 87,13 ienes, de acordo com informações da agência Dow Jones. Os fracos indicadores da economia japonesa ajudaram a dar sustentação ao dólar, enquanto os mercados não descartam uma eventual intervenção do governo japonês caso o iene sofra uma valorização muito acentuada. O Ministério de Finanças do Japão alertou recentemente que está acompanhando os movimentos do mercado de câmbio e tomará medidas apropriadas caso seja necessário.
Dados divulgados mais cedo mostraram que em novembro a produção industrial japonesa teve queda de 8,1% - a maior já registrada - em comparação ao mês anterior. Também houve declínio no consumo e no número de empregos do país. O ritmo de aumento dos preços ao consumidor no Japão também teve o maior desaquecimento desde a primavera de 1981 em novembro, de acordo com a Dow Jones.
Nos EUA, as informações sobre as vendas no varejo na temporada de compras antes do Natal reforçaram a fraqueza da economia do país. A consultoria SpendingPulse, da MasterCard, informou uma queda de 8% nas vendas em dezembro até a véspera do Natal em comparação ao ano passado, seguindo-se a retração de 5,5% novembro. Excluindo as vendas de gasolina, a retração foi menor, de 4% em dezembro e 2,5% em novembro. Uma desaceleração de 40% nos preços da gasolina em relação ao mesmo período do ano passado contribuiu para a queda nas vendas totais.
JUROS Sem nenhuma notícia com força para mexer com as taxas, o mercado de juros operou nesta sexta-feira com volume reduzido e pouca oscilação em relação ao dia 23. Os dados referentes às vendas de Natal (Serasa, ACSP e Alshop) serviram apenas para mostrar que afinal as vacas magras não chegaram a tempo para atrapalhar o comércio neste fim de ano. De qualquer modo, o mercado já vislumbra um cenário de economia bem mais fraca em 2009, o que provavelmente obrigará o Banco Central a afrouxar a política monetária logo no início do ano.
Na negociação estendida do mercado de juros futuros da BM&F, entre 16h45 e 18h, O DI janeiro/2010, o mais líquido, teve 55.215 contratos negociados e ficou em 12,29%, de 12,28% no fechamento e no ajuste de terça-feira. O vencimento para janeiro/2012, com 16.605 ativos, encerrou em 12,67%, mesmo patamar do encerramento do dia 23 e de 12,64% no ajuste de terça-feira.
O Serasa informou que as vendas de Natal no varejo do País cresceram 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período de 2007. A da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) informou que a média das compras feitas pelo consumidor paulistano registrou crescimento de 1,65% entre os dias 1 e 25 de dezembro. Já os números da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) revelaram crescimento de 3,5% em relação ao ano passado, segundo o valor das vendas.
A próxima semana também deve ser de volume minguado de negócios por causa do feriado de Ano Novo e, a princípio, nenhum indicador deve tirar a apatia do mercado de juros. Mas o mercado ainda assim vai estar de olho na pesquisa Focus e no IGP-M de dezembro, ambos na segunda-feira. As estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções variam de uma deflação de 0,16% a uma leve inflação 0,09%, com mediana de -0,05%. Para o ano fechado, as previsões oscilam de 9,80% a 10,00%, com mediana em 9,88%.