Quarta-feira, Abril 29, 2009

Cansado de perder na bolsa? MorningStar lista seis lições aprendidas em dez anos

Por: Equipe InfoMoney
29/04/09 - 09h00
InfoMoney

SÃO PAULO - É comum dizer na renda variável que os verdadeiros ganhos encontram-se no horizonte, dada a menor volatilidade existente quando se desenham tendências no longo prazo. Tempos e distâncias maiores pode reduzir os riscos de uma opção errônea.

No entanto, a MorningStar constata que a primeira década deste século trouxe perdas acumuladas. "Tomando como ponto final o mês de março deste ano, chega-se a um retorno anualizado do S&P 500 negativo em 3%", afirma a instituição de pesquisa.

Se as perdas ocorreram, algumas lições devem ser aprendidas. Como bons observadores, os analistas chegam a seis ensinamentos dados por esses anos, desde a decepção das pontocom até a crise financeira atual.

Longo pode ser curto
A expressão "longo prazo" ganha interpretação subjetiva. "Se você pensa que longo prazo são cinco ou dez anos, pode não ser suficiente", diz a MorningStar, ao ressaltar que geralmente a rentabilidade anual de 7% a 10% da renda variável ocorre no horizonte de vinte a trinta anos.

Para investidores jovens que almejam uma aposentadoria mais tranquila, "o horizonte de tempo provavelmente é longo o bastante para o portfólio possuir mais ações do que outros tipos de ativos". Já para aqueles que detêm viés no curto ou no médio prazo, os analistas acreditam que a exposição à renda variável não significa uma rentabilidade superior à vista no mercado de títulos.

Seja plural
Muitos investidores dizem que, mesmo dentro de um bear market, sempre há um bull market ocorrendo em algum lugar. Em outras palavras, os analistas destacam que raramente todas as ações negociadas caminham na mesma direção. "Enquanto o índice S&P 500 de large caps despencava no começo de 2000, papéis de small caps dispararam e continuaram se valorizando".

A MorningStar discorre também sobre o cenário atual, em que commodities, diversos tipos de ações e dívidas corporativas declinaram nos últimos tempos, enquanto títulos públicos apresentaram valorização atrativa. Com esse olhar, a instituição acredita que, se o portfólio for diversificado, "não precisa adivinhar quem saíra vencedor no próximo bull market, pois você já estará nele".

Invista X% da renda, seja urso ou touro
Em tempos voláteis na renda variável, um pouco de disciplina não faz mal. Nesse sentido, a instituição afirma que a regularidade dos investidores quando alocam capitais em bolsa é favorável, ao passo que reduz o risco de comprar tudo quando o cenário encontra-se em bull market, ou de vender caso contrário, na tendência de baixa.

Partindo dessa premissa, os analistas enfatizam a importância de investimentos mensais em uma proporção fixa da renda do indivíduo, que não se correlaciona com o desempenho do mercado. Com isso, evitam-se movimentos de euforia e de pessimismo.

Poupe para investir
Na economia, poupança significa a fração da renda nacional ou individual que não é aplicada em serviços e bens de consumo. "Os consumidores norte-americanos estão poupando cada vez menos e menos", observa a MorningStar, na crença de que investidores realizam dispêndios supérfluos, o que impede a criação de um império. "Se os seus investimentos não crescem, você precisa injetar dinheiro no mercado".

Minimize despesas e taxas
A taxação sobre operações financeiras é inevitável e ocorre para cada lucro auferido em bolsa. Contudo, os analistas da consultoria acreditam que o controle de custos é importante. "Enquanto você não pode controlar o retorno sobre suas ações no mercado acionário, você pode controlar a porção dos retornos que sumirá por causa das taxas".

O passado não é sempre um prólogo
Na linha temporal, o presente pode ser um início de um ciclo, como o passado às vezes é o final de uma tendência. Com esse viés, a instituição financeira ressalta que é necessário olhar para trás, mas não se deve confiar plenamente em eventos anteriores. "A moral dos últimos anos não indica que você deve sair de ações", completam os analistas.

"Ao contrário, é provavelmente o melhor período em muitos anos para investir em ações".

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Quarta-feira, Abril 22, 2009

A origem do termo especulador

A maioria das pessoas usa o termo especulador de forma incorreta. A palavra tem sua origem na raiz indo-germânica "Spec", que significa olhar. É dela que recebemos dezenas de outras palavras como:

Especialista, aquele que olha com profundidade
Especial, aquilo que olhamos com carinho.
Espelho, olhar para si.
Respeito, olhar com orgulho.
Espetáculo, olhar algo deslumbrante.
Esperança, olhar o futuro positivamente
Espanto, olhar assustado
E, finalmente, especulador: aquele que olha na frente, aquele que enxerga aquilo que outros não vêem.
Portanto, etimologicamente, especulador é uma palavra positiva, sem a negatividade que hoje se lhe atribui. Toda sociedade precisa de especuladores, pessoas que enxergam na frente e mostram o caminho. Deveríamos venerar nossos especuladores, e não vilipendiá-los como fazemos costumeiramente.
Vocês que acessam O Brasil Que Dá Certo são provavelmente especuladores, pessoas que querem enxergar para frente, e não ficar remoendo o passado, achando que no passado é que iremos encontrar as soluções do presente.
Esta é a razão do grande fracasso dos intelectuais, dos filósofos, dos sociólogos e, principalmente, dos economistas neoclássicos, keynesianos e monetaristas em prever e evitar esta crise. A maioria está estudando o passado -- e não tentando decifrar o futuro.
Lamento dizer que, na história do mundo, os grandes especuladores de mercados, na versão negativa que se dá o termo, não têm sido os “Georges Soros” da vida, como se costuma espalhar por aí.
George Soros, considerado o maior especulador da década, percebeu que os economistas ingleses estavam mantendo a paridade da libra correlacionada com o marco alemão. Como George Soros sabia que a Inglaterra não é a Alemanha, vendeu libras e comprou marcos. Ele acabou mostrando que a Rainha da Inglaterra estava nua.
Ganhou fortunas com isso. Soros prestou um serviço ao povo da Inglaterra ao pôr fim àquela manipulação dos economistas ingleses. O grande especulador, na versão negativa que se dá o termo, normalmente é o poder público.
Por que então os especuladores, aqueles que olham o futuro, são tão odiados?
O problema é que especuladores ganham muito dinheiro, justamente porque ganham contra governos teimosos. Aí, recebem a ira dos burocratas, dos economistas e dos Ministros que deveriam ser demitidos pelos erros que fizeram, mas não o são.
E quem leva a culpa e a ira do governo são os especuladores que revelaram o erro público.
“Se estamos buscando um especulador para culpar pela situação do Brasil, ele é Fernando Henrique Cardoso”, dizia o economista Rudiger Dornbush, um dos poucos que tinha a coragem de dizer a verdade.
O governo Argentino manipulou a taxa de câmbio mantendo-a igual à dos Estados Unidos por dez anos. Acharam que eram países iguais, sujeitos às mesmas pressões cambiais, algo que todo mundo sabia ser uma mentira, com exceção dos economistas argentinos.
No Brasil, o governo manipulou por trinta anos os índices de correção monetária, manipulou preços através das Comissões Interministeriais de Preços e manipulou a taxa de câmbio até recentemente. Tudo isso deu no que deu.
A outra razão que gera ódio é que os especuladores acabam enxergando coisas no nariz de muitos economistas neoclássicos, jornalistas de economia e jornalistas em geral, que, aí, se sentem uns perfeitos idiotas por não terem percebido o que deveriam ter percebido.
Não tenho a menor dúvida de que, na caça aos culpados desta Crise de 2008, os inocentes a serem presos serão os especuladores, e não os membros do Banco Central americano, que tinham a obrigação de zelar pelo sistema financeiro, em razão de sua independência e de seus de poderes totais.
A minha única restrição é contra os especuladores que usam o dinheiro dos outros. É o caso dos hedge funds e dos bancos de investimento. Esta será a grande lição desta crise.
Nunca entregue seu dinheiro para um asset manager, muito menos um Maddof na vida. Especule sim, mas com o seu dinheiro, e não permita que especulem com o seu dinheiro. Mesmo prestando contas.
Especuladores que se restringem a arriscar seu próprio dinheiro quando erram, perdem dinheiro e voltam para casa quietinhos e não voltarão a fazer mal a ninguém. São rapidamente depurados. Prejudicam somente a si, pagam caro pelo erro cometido.

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